quinta-feira, 23 de abril de 2015

Não se pode!...

Adoro quando as pessoas dizem "literalmente" a torto e a direito. Pérolas:


             - Ele é literalmente gigante.

Subiste ao pé de feijão, foi?


            - Ela é literalmente a melhor pessoa do mundo.

Sim? E os outros 7 mil milhões conheceste onde?


              - Ele é burro! Literalmente!

Ah, sim? E zurra?


E a minha favorita

     
            -  Eu morri de susto. Literalmente.

E um dicionário no meio da tola, não? Literalmente!





Beijo da Patinha *

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Drama queen



É uma sensação agridoce quando, ao perguntarmos à nossa filha de 20 meses que está com ar de poucos amigos

                 - Estás aborrecida, amor?

ela, jogando-se para o sofá, responde:

                  - Co'a vida!


E eu pergunto-me a quem poderá ela ter ido buscar esta veia dramática?

Ao pai.

Só pode...


Beijo da Patinha *

terça-feira, 21 de abril de 2015

O caso de espremer as mamas!





Teria de inevitavelmente falar sobre isto, já se sabe.

E desta vez até consegui que fosse passados  2 dias após a notícia inicial. E, claro, após já toda a gente neste Reino (estou ainda em modo Guerra dos Tronos) ter opinado sobre isso.  

Mas até não está mal. Geralmente ponho todas as minhas opiniões, peso os prós e contras e concluo brilhantemente em textos que escrevo mentalmente. E aí ficam. A coleção de textos mentais que tenho faria inveja até à biblioteca paroquial do Sever do Vouga.

Mas hoje consegui. Cá vai.

Ao que parece estes senhores de dois hospitais do Porto decidiram inventar uma coisa genial a que poderiam ter chamado de prova física de amamentação.

Eu chamar-lhe-ia uma vergonha.

Enquanto jurista não vou trazer nada de novo à colação, porque tudo já se disse e explicou. É até muito simples o procedimento a adotar, sem dar azo a grandes  interpretações. E a simplicidade e clareza nestas coisas é tão rara que há de enaltecer. A ver se pega a moda...

Em suma, depois do filho perfazer 1 ano de idade, a mãe trabalhadora que amamenta continua a ter na sua esfera jurídica o direito a dispensa para amamentação até o máximo de duas horas por dia - em dois períodos distintos, salvo acordo em contrário- , enquanto subsistir a amamentação. A prova é feita mediante entrega de atestado médico à entidade empregadora.

Em momento ou lado algum se prevê que a prova passe por espremer mamas.

É claro que se trata de um procedimento lesivo, abusivo e atentatório dos direitos humanos (e não dos redutores direitos das mulheres).

Enquanto pessoa, mulher e mãe acho mais. Acho vergonhoso.

Eu amamentei a CLSM até aos 8 meses. Adorei amamentar. Cada momento.

Mesmo quando passava 8 em 24 horas do meu dia com a piquena na mama.

Também ajudou ter corrido tudo bem desde que ela  sofregamente abocanhou. Não tive problemas com a subida (ou descida) do leite, com feridas ou gretas - tinha um creme maravilhoso e curava tudo com leite da própria mama. Ela e(ra) uma comilona e fui de facto muito feliz a amamentar. Arrisco a dizer que fomos.

Antes de ela nascer, como não sabia como reagiria à amamentação frente a outras pessoas, comprei um avental de amamentação. Usei uma vez. Bastou. Só me parecia uma mini-burka a esconder a origem de todo o Mal, a mulher e a mama. E quase que a perdia ali debaixo.

Percebi logo que frente a familiares e amigos não tinha qualquer problema em sacar da mama e pimba que já almoçaste. Em sítios publicos, não exibia, mas não escondia. Sinceramente, já era tão natural que por vezes até me esquecia. Se houvesse algum sítio específico para amamentar usava, se não houvesse escolhia o sítio mais calmo possível. 

Nunca fui uma pessoa pudica, Deus sabe, mas na verdade nem se tratou disso. Amamentar foi-me tão natural e instintivo que passou a fazer parte de mim.

Mas quando li a notícia dei por mim a imaginar-me na situação destas mulheres. Imaginei-me frente a um painel de médicos e enfermeiras que me pediam para espremer as mamas. A ver se saia leite. Assim. 

Não concebo. Acho tão humilhante e degradante que é inqualificável.

E isto sem falar das questões mais práticas.

No último mês que amamentei já tinha pouco leite e só lhe dava de mamar à noite, quando tinha mais leite. Não sei se conseguiria tirar leite de manhã, por exemplo.

Além disso a ansiedade também pode contribuir para a diminuição ou retenção do leite. E não, isto não é história de hippie de Woodstock ou hipster do Coachella que só come orgânico. Fiquei um dia inteiro sem pinga de leite depois de uma notícia que me deram.

Por todas estas razões e mais alguma parece-me tudo isto deplorável.

Agora, há aqui um senão. Um grande senão.

Estas duas mulheres fizeram as queixas. Mas e as outras? Quantas negaram fazer o teste não por uma questão de princípio - perfeitamente defensável -, mas porque não estão de facto a amamentar?

Quantas mulheres apresentam declarações médicas que atestam o que é falso?

Lembro-me de ter várias conversas com mães que me diziam que iam fazê-lo. Sem pena nem remorsos. Que eu era tonta por não fazer o mesmo (Já repararam que este é o argumento preferido de quem conscientemente erra, mas não o quer fazer só?).

Não o fiz nem faria. A mentira é uma cor que não combina com a minha pele. Não saberia viver com isso. Pode parecer um dos meus típicos dramatismos ou um olha-para-ela-armada-em-santa-perfeita-que não-mente-hás-de-ir-para-o-céu-queres-ver. Mas é o que temos.

Se me incomoda a situação dos falsos atestados? Não deveria. Mas incomoda.

Eu optei por trabalhar só cinco horas por dia e às 14 horas saio de vez para ir ter com a minha filha. 

É maravilhoso e não trocava por nada. 

Mas quando vejo o meu recibo de salário sinto sempre uma dor de burra nas entranhas. A redução é grande e só o consigo fazer com alguma ginástica financeira e abdicando de muita coisa boa. O supérfluo, que é sempre o melhor, é agora uma doce mas turva recordação que nem estou certa que aconteceu.

Mas não me queixo. Foi uma escolha.

Mas poderia ter exatamente o mesmo horário que tenho atualmente - que foi o que pratiquei também no período da aleitação/amamentação - e receber o salário por inteiro. Bastava apresentar um atestado como tantas mães com as mamas mais secas que eu fazem.

Não me parece justo. E o procedimento simples acaba por criar desequilíbrios e assimetrias.

Por culpa de quem mente. Sim, mentem. As mães e o médicos. 

Os médicos é que deveriam ser responsabilizados pelas falsas declarações, como li algures. Correto. Concordo. 

Mas como, já agora? Ora se a mulher não pode - nem deve - ser obrigada a espremer a mama, nunca se vai saber se amamenta ou não. Logo, nunca se vai saber se o médico agiu em conluio com a paciente no sentido de defraudar a entidade empregadora.

É uma pescadinha de rabo na boca, é o que é.

Mas tinha uma solução muito simples para acabar com tudo isto.

As mães que optassem por ficar em casa nos três primeiros anos dos filhos receberiam 50% do seu salário e as que optassem por, nesse mesmo tempo, trabalhar a meio tempo, receberiam o seu salário por inteiro.

Ah, mas a Segurança Social não aguenta esse esforço. E sem natalidade, sem contribuintes daqui a 30 anos vai aguentar-se? 

Uma solução do género é essencial e só não vê quem não quer ver. Ou pagar.

E não nos faziam favor nenhum.


Beijo da Patinha *

O balão do João




Há uns dias estávamos, eu e a Maria do Carmo, a andar de carro - a nossa disco sobre rodas - e começou a dar o "balão do João".

Ela adora esta música e já canta a maior parte dela sozinha. Mas nesse dia, por alguma razão misteriosa à Area 51, mal cantou que o balão ia a voar pelo ar, faz uma pausa dramática como que a assimilar a origem do Universo.

       - Ohhh, o bauão. A voá. Tadio Zoão. A choá.

Pensei cá para os meus botões pensantes que era uma bela oportunidade para ensinar que, às vezes, coisas más acontecem, do tipo shit happens. Mesmo que não se componham como se quer. O importante mesmo é saber lidar com elas. 

       - Pois foi, amor. O vento soprou e o balão voou, O João ficou triste, mas depois pensou em tantas outras coisas boas que tem, a mamã deu-lhe um beijinho e ele ficou bem. 

      - Ohhh, o bauão. A voá. Tadio Zoão. A choá.

      - Foi, amor. Às vezes acontece, mas logo passa. Há coisas que não se podem controlar. Mas o João foi brincar e ficou mais feliz. Deixou de chorar.

      - Ohhh, o bauão. A voá. Tadio Zoão. A choá.

E trezentas vezes - foram, não contei mas foram- ouvi eu ohhh, o bauão. A voá. Tadio Zoão. A choá.

E cada vez que ouvia a paciência sumia-se mais um bocadinho. A resposta diminuía proporcionalmente. A última vez já só me saiu um "é".

E cada vez que ela dizia só pensava não, não vou dizer, vou resistir, não vou dizer.


Trecentésima primeira vez:

       - Ohhh, o bauão. A voá. Tadio Zoão. A choá.

Não aguento! Tenho de acabar com isto! Já não posso! Vou dizer e que se lixe:

       - E depois a mamã do João comprou-lhe outro balão. Pronto.

      
Silêncio. Avé!



E trezentas vezes ouvi eu:

      - Outo bauão! A mamã Zoão outo bauão!


Maldito João.


Beijo da Patinha *

      


    

      

      

domingo, 19 de abril de 2015

Eu, a super mãe maravilha!

Adoro dar banho à CLSM.

Entre jogos e cantorias são muitos raras as vezes que não dou pelo menos cinco boas gargalhadas. Daquelas que vêm da alma.

Um dos passos da nossa coreografia mais que ensaiada implica ela pôr-se de pé na banheira. É assim desde que se consegue equilibrar. Eu primeiro ajudava-a a levantar-se e com o tempo passou obviamente a fazê-lo só. Sempre funcionou maravilhosamente. Até há cerca de duas semanas.

Um belo dia decidiu pôr-se de cócoras agarrada à banheira e não havia forma de se pôr em pé. E com aquele brilho risonho de desafio no olhar. Que como ela ainda não lê o blog (que eu saiba!), posso confessar que adoro. Sabem qual é? O que eu gosto daquele olhar. E o que eu gosto de um bom desafio!

É preciso que se diga que a CLSM tem uma personalidade forte e já está ali à beirinha dos terrible two . Para quem não sabe ou tem a sorte de ainda não ter lá chegado, parece que a partir dos dois anos de idade os nossos doces amargam. Passam de prazo. Por artes maléficas, com certeza, transfiguram-se e viram o Hulk em mini. Talvez  menos esverdeado. Será assim algo como o Apocalipse, mas menos ligeiro.

Apesar disso, sinto que até agora - bate na madeira para aí umas novecentas vezes - tenho como que o jackpot da boa índole em casa. Não há nada que não lhe passe ou não entenda com uma boa explicação. Vou bater na madeira mais três vezes. Pelo sim pelo não.

Avancei então confiante e expliquei-lhe que tinha de ser pôr em pé e porquê. Não funcionou. 

Pára tudo. Mas como não funcionou? Não.

A muito custo lá acabou por pôr-se em pé. Com uma assistência forçada da mamã.

Dia seguinte a mesma história. Nova tática, porque a mamã aqui teve a assistir vídeos da equipa contrária. Apelar ao seu lado empático gigante. 

                             - A mamã não te pode levantar, amor, porque tem uma grande dor nas costas e piora ao fazer força. 

                             - Oh, (coi)tadia mamã. 

E faz-me uma festinha com aquele sorriso. Mais nada. Sempre de cócoras. 

Um fervilhar cá por dentro, Mais uma assistência forçada. 

Terceiro dia. O mesmo. Combinação de táticas e entrada de ponta de lança. Explicação, seguida de apelo descarado à empatia. O remate: ar autoritário e cara de quem não comeu pequeno-almoço. A custo lá se levantou.

Não me satisfez.

Mas então ao quarto dia fez -se luz. 

Maria do Carmo de cócoras. Brilho intenso de desafio no olhar. O suspense e a expetativa no ar. Quase palpáveis. 

Era eu a jogar. 
         
           Tom e postura absolutamente condescendentes:
          
                               - Oh, amor. isso assim é de cócoras. A bebé ainda não sabe o que é pôr-se de pé? Não faz mal...

Levantou-se num relâmpago. 

Vitóooooooria!! 

A necessidade de mostrar que sabe foi superior à natural necessidade de desafiar.

Senti-me Sun Tzu a explorar as fraquezas do inimigo e regozijei-me interiormente. Com direito a serpentinas.





Este foi então o texto que escrevi na minha cabeça. E assim seria o texto se o tivesse escrito. Na semana passada. 

Cheia de mim própria, pensei, olha que truque tão engraçado. Vou partilhar no blogue a ver se funciona com mais alguém. 

Sou maravilhosa eu....


Como nunca escrevo nada a tempo lá terá de ficar a adenda.

Afinal não sou maravilhosa eu....

É que a coisa funcionou. Três dias.

O que é que eu tenho agora? 

Maria do Carmo de cócoras, com o ar mais sarcástico possível - nem sabia que tanto sarcasmo poderia caber numa embalagem tão pequena - a sorrir para mim, enquanto diz:

          - Ixo é de Cócoas. Ooooooh, a bebé não xabe...


Já vos disse que amo a minha filha de paixão?






Beijo da Patinha *




       


sábado, 18 de abril de 2015

Abram alas!



A Maria do Carmo hoje acordou com um speed, uma maluqueira e uma tal necessidade de praticar o salto em comprimento para as próximas Olimpíadas (apesar de ainda quase mal conseguir levantar os dois pés ao mesmo tempo!), que começo a ter sérias dúvidas se o pó branco era mesmo leite...

Beijo da Patinha *

quinta-feira, 16 de abril de 2015

The never ending story - Parte II

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No capítulo anterior:

      Vida própria, galinha, desengalinhar, fim-se-semana, bla bla bla viagem, órgãos, não mexo uma palha para fazer o jantar, depois do jantar veio a loucura.


 ------ Apresentando o último capítulo -------


Foi a loucura, digo-vos!

Arrumados os pratos - continuei sentada na minha cadeira - tivemos uma noite insana de jogos de tabuleiro!

Sim, jogos de tabuleiro. E rimos até nos doer o baço.

Para que se entenda, a mensagem que recebi antes de ir, que há 4 anos seria "traz mais álcool. Muito mais álcool", foi desta feita "podes trazer um cremezinho para massagem? Estamos todos empalamados das costas".

E o que seria uma noite de excessos, confidências vergonhosas, conversas sem nexo e cheia a abarrotar de nada, deu lugar a uma noite cheia de tudo.

E divertida c'mo caraças.

E dei por mim a pensar que estávamos todos na mesma página. Senão na mesma página, pelo menos no mesmo capítulo. E nenhum destes meus amigos é casado, muito menos pai ou mãe.

E percebi que, se eu tinha mudado consideravelmente nos últimos tempos, a maternidade não pode ser o bode expiatório da coisa. Pesa imenso é um facto, mas não está só.

A verdade é que evoluímos, mudamos, repensamos prioridades e posturas, objetivos e ambições. Acumulamos experiências, passamos pelo tempo. 

Pronto, estou para aqui a engonhar e a evitar admitir como um vampiro evita o bronze que não vem em spray, mas vou dizê-lo: envelhecemos.

Inevitavelmente. É isso.

E não é o fim do mundo.

Cumprida que está a reflexão lapalissiana, rumemos adiante.

Descobri entretanto que não tinha rede no telemóvel. O pânico! E se precisam de mim e se acontece alguma coisa e se não sabem onde está aquela coisa importantíssima que nunca foi necessária até ao dia de hoje?

Junte-se uma cama desdobrável tenebrosa - massagem para quê? - que rangia de tal forma que me acordou cada vez que me virei durante a noite e pode dizer-se que não tive as mais descansadas cinco horas de sono de sempre.

Acordei cedo - apesar de estar há dois meses sem me calar sobre as saudades que tinha de dormir até tarde - porque o cérebro esqueceu-se de desligar.

E quando abri as portadas, vi isto. Só isto. Nada mais à volta, senão serra e mar.




E depois de respirar bem fundo e sorver, liguei ao fafá.

Estavam na Fnac a ouvir uma "senhoia" (Maria do Carmo)  histérica (papá) contar uma estória.

Porra, queria ser eu a levá-la.

Estava felicíssima e esteve super bem. Respirei de alívio.

Só perguntou por mim uma vez. Parei de respirar.

Como assim, estás a dizer isso para não me preocupar? Que não, que era a mais pura da verdade. Mas isso é tão estranho, não achas? Mas que foi assim sem tirar nem pôr.

Peguei no saco de papel, despedi-me com beijos, abraços e saudades e fiz-me à estrada.

O rádio já funcionava. A música da engrenagem do meu cérebro já é suficiente, obrigada.

Não deixava de ser estranho. E fui pensando nisso enquanto me tentava convencer que o que me intrigava era a análise da reação - dela - e não a quantidade de tristeza - minha.

Quando cheguei a casa fui recebida com beijos e  abraços que sofregamente colhi, mas que de alguma forma perniciosa me souberam a pouco.

Era como se nada se tivesse passado de diferente. Business as usual.

E dramática até à medula, passei dois dias a visitar uma encantadora espiral descendente.

Se era indiferente a minha ausência na área da minha vida a que mais me dedico de corpo e alma é porque ali eu era irrelevante. Porque falho. Porque também falho sistematicamente nos outros campos. Porque falho sempre em tudo. Porque sempre falhei em tudo e sempre falharei.

E é assim sempre que opto por colocar aqueles óculos que tenho no armário ao lado dos ray ban. Os óculos da estupidez melodramática obtusa.

Dei-me um par de estaladas imaginárias que me acertaram na mona em cheio, de tal forma que arrancaram os óculos.

E percebi que tinha de me deixar de tontices, para não dizer de merdas.

Conclui que se o mundo da CLSM não desabou porque a mamã não estava, é porque eu estava a fazer alguma coisa bem. Que estava a criar a criança forte e independente que tanto quero criar.

E fiquei tristemente feliz.



Dias depois, voltei a ausentar-me por duas horas.

Que hoje foi terrível, perguntou por ti imensas vezes.

E fiquei felizmente triste.

Olá, espiral! Há tanto tempo...



Mas quem tem paciência?!

Fiquemo-nos pela paisagem





Beijo da Patinha *




terça-feira, 14 de abril de 2015

The never ending story


Lembram-se de eu estar-me há uns dias a lamentar-me por aqui que precisava de, basicamente, cortar o cordão umbilical?

Fiquei a pensar no que tinha escrito e percebi que se calhar tinha sido um bocadinho exagerada. Passei a ideia de que não tenho vida própria, mas até tenho. A sério que tenho! 

Só que geralmente essa vida acontece depois das 21 horas. Só coincidentemente a hora de ir para a cama da CLSM...

Seja como for, bateu-me à porta uma ocasião perfeita para desengalinhar.

Um amigo meu fez anos e tinha combinado ir com uma grupeta engraçada, no passado fim-de-semana, para uma casa arrendada para as celebrações.

Eu estava há um mês para confirmar se ia. 

Que claro que vou. Mas é que nem pensar! Mas tenho de ir.

Para testar as águas, na terça-feira anterior ao fim-de-semana, foi o papá a dar o jantar - esta parte é sempre ele que faz - a dar banho só - geralmente é um bocadinho a cada - e a deitar - geralmente sou eu. 

Para nem estar por perto, saí e fui fazer uma massagem. As minhas hérnias discais e protusões cervicais são viciadas em massagem. Eu não, claro.

E estão a ver como tenho vida própria?!

Claro que expliquei tudo à Maria do Carmo antes de sair. Para onde ia, que o papá iria assumir a ponte à Capitão Jean-Luc Picard (nunca gostei do Kirk) e que só nos víamos no dia seguinte.

Ela perguntou por mim à hora de vestir o pijama, que é a hora da nossas palhaçadas por excelência. Nada mais a reportar. Tudo sobre rodas, ou melhor, a velocidade warp. Sim, sou uma trekkie. Assumo.

Fiquei confiante com o resultado da experiência.

Já tinha decidido que, se fosse ter com os meus amigos, só iria obviamente por uma noite. Que isto é um passinho de cada vez, se faz favor.

E no sábado ao final da tarde, depois de muita insistência do Super Gato (um dia explico a razão do nome) e da minha implacável consciência, lá me decidi a ir. Não sem antes confirmar se havia jantar para mim, claro. Sim, que isto sem filha e sem comida então é que era curto circuito na certa.

Joguei umas coisas para um saco de papel - a pessoa que só viajava com pelo menos duas malas para meio dia e sempre a combinar com a roupa - enchi-me de coragem e depois de protelar um bocadinho a ver se ninguém percebia, lá fui eu despedir-me da CLSM.

        - Adeus mamã! 

Deu-me um abraço, um beijo e foi toda contente brincar com o papá.

OK. 

So far so good.

Depois de uma viagem interminável, em que o rádio decidiu avariar a meio e tive de ouvir música à parola, que é como quem diz no telemóvel, com três telefonemas a certificar-me que já não tinha passado o sítio, a porcaria do sítio e o raio que o parta do sítio, lá cheguei onde Judas perdeu as botas.

Tudo escuro que nem breu. Nem vivalma.

      - Já cheguei. 

      - Espera aí que já te vou buscar. Vens atrás do meu carro.

Ainda não era ali. 

Depois de mais 10 minutos de estradas do cricacá, onde mal passava uma agulha, parámos o carro no meio do nada.

Era ali. Era onde Judas foi morrer.

Se não conhecesse os meus amigos há anos sem fim, teria fugido como diabo da cruz, agarrando todos os meus ameaçados órgãos à beira do tráfico.

Entrámos em casa e foi como se sempre estivesse estado ali. Como se também tivesse rido daquela piada ontem. Como se tivesse visto o que o que ele fez ao almoço. Com os verdadeiros amigos é assim. 

Fizeram um jantar maravilhoso enquanto eu conversava com uma cerveja na mão e um cigarro na outra. (Foi só por essa noite, já voltei ao estado smoke free, podem parar de me gritar, sim?)

Eu perguntei umas duas vezes se precisavam de ajuda e eles conhecem-me o suficiente para saber que não tencionava mexer nem um pêlo da sobrancelha.

Nem me responderam.

Depois do jantar, bem, depois do jantar foi a loucura!



                               ---------- Continua no próximo post -----------------


(Não é o máximo esta ideia? É porque já passa da uma da manhã (hey!) e tenho de ir dar voltas na cama durante duas horas até conseguir adormecer!

Entretanto, deixo-vos com o que vi no outro dia de manhã, lá onde Judas foi morrer. E que bem que ele escolheu...




Beijo da Patinha *

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Pesadelos!


Sim, pesadelos. 

À antiga. A preto e branco. Com três acordes horripilantes como banda sonora. 

E não, a CLSM ainda não entrou na fase dos pesadelos e de acordar em pânico descabelada. 

A descabelada sou mesmo eu. A paniquenta panicosa sou eu.

Eu explico. Há uns dias, nas minhas deambulações internéticas, deparei-me com uma página de facebook que me deu uma dor no cérebro, apanhou-me as aduelas e arrepiou-me o útero.

Descobri isto: 


Pois. 

E o que é isto? Isto não, esta. 

Esta é a Filipa, minha homónima ainda para mais. 

É uma bebé de sonho, das muitas que lá estão na página de facebook. E é tão mau, tão mau que fiquei assim entre o horrorizada e o fascinada, ou horrorosamente fascinada.

E quantos gostos tem esta página portuguesa? São 14.454. Sim, minha gente, 14.454 pessoas gostam disto.

E fui de foto em foto a tentar perceber o que raio era aquilo. Depois encontrei o termo "reborn baby". Googlei, claro.

Afinal estes bebés bonecos, bonecos bebés, não são algo que uma senhora chamada Alzira ou Darlene inventou e faz na cave da sua casa em Oliveira de Azeméis. 

Não, isto é um fenómeno. Há formação para ser artesão de "reborn babies", há os mundialmente conceituados e os aprendizes, há milhões de aficionados, há sites, blogs, chats, fóruns e um par de botas. O preço dos bebés bonecos - não sei mesmo o que lhes chamar - pode variar entre os 100€ e os 10.000€. Sim, leram bem.

E fui vendo mais e mais:















Absolutamente arrepiante, eu sei! 

Mas depois também fui lendo sobre todo o trabalho e perícia que implica a conceção - sem qualquer ironia - de um bebé destes. 

E comecei a tentar perceber qual poderia ser a motivação de uma pessoa que os compra. 

Há dos que compram só porque gostam de bonecos. Há quem até faça coleção. E só conseguia imaginar uma senhora rodeada de gatos e bonecos vestido de renda branca integral, com touquinhas,  todos sentados à mesa a tomar chá.

Há dos que compram porque sempre quiseram ter filhos e não conseguiram.

Há dos que, perante a maior dor do mundo, a de perder um filho, encontram aqui um mecanismo de escape, encomendando um "bebé igual ao seu".

Vi bonecos que têm vida de verdadeiro bebé, com quarto todo arranjado, com cama e armário cheio de vestidos, com cadeira de papa, com carrinho e bonecos (!) para brincar.

E fui imaginando todos os sonhos perdidos, as derrotas, as deceções, as dores lancinantes que não estariam por detrás desta "compra", que não seria mais que uma forma de preencher de um grande vazio.

E senti-me tão abençoada. E triste, muito triste.

Mas que nem mosca para mel não conseguia parar de ver.

Depois descobri que há dos que são simplesmente loucos. Fechei tudo num instante.








Esta noite não vou ser a única descabelada a ouvir aqueles três acordes, pois não?.


Beijo da Patinha *
   

quinta-feira, 9 de abril de 2015

E para quando é isso mesmo?!

Lembro-me de, há uns quatro anos, ainda com a Maria do Carmo longe de ser feita, estar com um grupo de amigos  numa discoteca - será que ainda se diz discoteca, ou já estarei tão desatualizada como quem dizia boîte há 15 anos? - e encontrar uma amiga que tinha sido mãe há uma semana. Dizia-me ela que precisou de sair para arejar e que a bebé tinha ficado com a avó. Que eu iria perceber quando fosse mãe.

Escusado será dizer que, mal ela virou costas, foi um descambar de "que raio de mãe'", "deve gostar muito da filha" e "queria era vir laurear a pevide". E eu defendi-a, claro. Que ninguém sabia como era, por isso não poderia falar.  

Lembro-me de, ainda grávida, estar a falar com uma amiga que tinha sido mãe há dois meses e que me contava que o leite tinha secado ao fim de um mês. Mas que tinha as suas vantagens, porque no mesmo dia, tinha deixado o filho com o pai, devidamente munido de biberões e leite em pó, e tinha passado a tarde no cabeleireiro, a fazer tratamento completo, dos pés à cabeça e com tudo o que tinha direito. Que precisava de voltar a sentir-se bonita. Que eu iria perceber quando fosse mãe.

Lembro-me de ser mãe há meia dúzia de meses e encontrar uma amiga que tinha um filho de 10 meses. Estava ela ofegante após uma vigorosa caminhada. Perguntei-lhe, claro, como estava o rebento. Estava ótimo e tinha ficado com a tia. Que ela precisava de voltar a fazer alguma coisa por ela. Que eu  iria perceber quando passasse a novidade de ser mãe.

Pois, o problema é que ainda não percebi nada disso. Parece que ainda não me caiu a ficha.

Tirando quando estou a trabalhar - e passei a trabalhar só meio tempo -, quando ela está a dormir ou ao domingo, em que eu durmo um bocadinho de manhã - sob pena de virar um Godzilla demolidor durante a semana -, estou sempre com a CLSM. Ou pelo menos estou perto dela enquanto ela está com outras pessoas ou a fazer as coisas dela e eu as minhas.

E então, quando é que afinal vou perceber?! Alguém me diz?! 

É porque qualquer dia saio à noite e danço a Macarena achando-me o máximo, tenho cabelo - já quase todo branco - até ao rabo e nem me consigo baixar de tão emperrada.

E sei que tenho de aligeirar a coisa. E critico-me.

Mas se eu não critiquei as minhas amigas, todos elas mães extremosas e dedicadas, mas mais desprendidas que eu, porque é que me critico tanto a mim?

Porque sei que estou errada. 

Qualquer dia tenho de mudar. Qualquer dia...


Beijo da Patinha *




P.S. - Depois de reler o texto, apercebi-me que todas as minhas amigas quase que se tinham justificado por não estarem com os filhos, ou porque precisavam de arejar ou por qualquer outra coisa. Por momentos tinha-me esquecido que, quando nasce uma mãe, nasce uma culpa sem fim. Até pelo vento que passa...

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Alto lá e pára o baile!!!

A minha forma de exercer a parentalidade não é para todos!

Ia escrever que não é nem pior nem melhor que qualquer outra, mas é mentira. Sempre que alguém diz isso, mente. Ou é acéfalo...

Se penso, pesquiso, reflito e estudo sobre qual a melhor forma de fazer as coisas e, de entre várias opções, decido-me por uma em específico, escolho-a e trilho aquele caminho, é necessariamente porque acredito, na minha convicção e com os dados que disponho à data, que é a melhor forma de fazer as coisas (Ai, que erudita estou eu hoje!) .

E sim, por isso, a melhor forma de ser mãe é a minha. E a minha é melhor que a dos outros.

E antes que me chamem de arrogante dos quatro costados, é preciso entender que refiro-me a isto de forma relativa.

Que me refiro a fazer (ou tentar fazer, muitas vezes) o que me parece melhor na altura, considerando as linhas gerais que perfilho e defendo.

Isto não quer dizer, obviamente, que em absoluto seja verdade. Que se venha a revelar melhor. Que seja efetivamente mais eficaz e com melhores resultados. Isso só a Deus (diz a ateia!) e ao Fado pertence.

Passado o gigantesco parêntesis e desvio do tópico, dizia eu que a minha forma de exercer a parentalidade não é para todos!

É, tal como eu, intensa, cheia, dedicada, mas também pautada por melhores e piores momentos - diria eu - e exageradamente galinha e cheia das mariquices das "teorias da moda" - diriam outros!

Seja como for, a verdade é que tento escolher poucos atalhos quando acho que são de evitar.

Impor sem explicar: Não!

Ser incoerente nas proibições e permissões porque às vezes dá jeito: Não!

Prometer algo, bom ou mau, que depois não é cumprido: Não!

Falta de tempo para dar colo: Não!

Falta de tempo para brincar, mas brincar mesmo: Não!

Televisão: Não!

Tablets: Não!

Fraldas descartáveis: Não!


Fraldas descartáveis não?! Mas pensam que sou maluca?!

Ainda grávida de 7 meses, com 300 kilos em cada perna, lá me arrastei a uma loja meia metida à hipster onde, durante 30 minutos ouvi falar das maravilhas das fraldas descartáveis.

São ecológicas.

Não me convenceu. (Posso dizer que não ligo muito a isso, ou é assim muito muito mau?)

São económicas. Numa média de 2 anos e meio de fraldas pode poupar-se até 600€. Isso é realmente muito dinheiro. Mas vendo bem, não é pago todo de uma vez. É assim às prestações, como o crédito.E assim não custa tanto. E ainda há as maravilhosas promoções das sempre beneméritas cadeias de supermercado...

Também não foi por aí.

Que são infinitamente mais confortáveis para o bebé, que a pele respira melhor e mantém-se mais saudável.

Pronto, aí vacilei. Já se sabe.

De repente imaginei-me uma earth mother, uma mãe à Jessica Alba, uma mãe de sling de algodão puro, apanhado por virgens loiras no 3.º dia de lua nova, plantado a olhar para o mar, quando a maresia está de Norte e coisa e tal.

 Parecia-me tão bem. Tão puro. Tão orgânico. Tão idílico.

Minha mãe:

     -Imaginas-te a transportar cocó na mala até chegares a casa? E  teres 10 fraldas a tresandar para lavar depois de uma noite a acordar de 3 em 3 horas?
  
   - São 2 pacotes de fraldas descartáveis para levar, se faz favor!




Beijo da Patinha *






segunda-feira, 6 de abril de 2015

Coelha da Páscoa!


Estou tão farta, tão cheia e tão saturada dos excessos da Páscoa e dos exageros dos açucares que hoje passei o dia a cenouras...



Beijo da Patinha *

Literalmente maravilhoso


Este sábado fomos pela segunda vez ao Gymboree. Uma experiência que muito tem que se lhe diga, mas que será devidamente abordada - leia-se ridicularizada - noutra ocasião.

Agora tratemos de outro assunto.

Na semana anterior tinha-me apercebido que depois de acabarem de "bincá", as mamãs e papás ofereciam aos seus rebentos bolachas, que as devoravam alegremente.

Nem me tinha passado pela cabeça levar nada para comer. 

Claro que houve uma mãe amorosa que ofereceu à Maria do Carmo uma bolacha e que levou logo a seguir com um "mais" - queria dizer esperançoso, mas tenho de dizer docemente manipulador -  da minha filha.

Para evitar isto ou, Deus nos livre, uma pilhagem de mãos pequenas pelas malas alheias, enquanto preparávamos as (inúmeras) coisas para levarmos, disse ao Super Gato, mais conhecido como meu marido:

   - Os miúdos comem todos bolachas depois, por isso é melhor levarmos também uma bolachinha!

No final da "aula", os papás e mamãs sacam das suas caixas transparentes ou coloridas, com ou sem bonecos, devidamente herméticas e convenientemente guardadas nas malas dos meninos. 

Eu começo a remexer na minha mala, onde enfio tudo a bem da desordem, e nada de caixa transparente ou colorida, com ou sem bonecos, devidamente herméticas com bolacha.

Mas como é que é possível? Eu disse-lhe que era melhor trazer uma bolachinha.

E depois encontrei.

Um pacotinho em folha de alumínio com...uma bolachinha!

Há que adorar! 



Beijo da Patinha *